A Prefeitura de Maiquinique publicou, no Diário Oficial desta terça-feira (21), três decretos relacionados à execução do orçamento municipal de 2026. Embora os documentos tratem de movimentações financeiras, nem todos significam aumento de gastos ou entrada de novos recursos para o município.
Na prática, dois decretos reorganizam recursos que já estavam previstos no orçamento, enquanto um terceiro utiliza dinheiro arrecadado acima da expectativa para reforçar algumas despesas da administração. Entenda abaixo.
Decreto nº 19: Prefeitura remaneja R$ 1,652 milhão para reforçar áreas prioritárias
O primeiro decreto autoriza um Crédito Adicional Suplementar de R$ 1.652.000,00, destinado ao reforço do orçamento de algumas secretarias.
Os recursos foram direcionados para:
- Educação: R$ 650 mil;
- Saúde: R$ 392 mil;
- Obras Urbanas: R$ 300 mil;
- Finanças: R$ 300 mil;
- Planejamento: R$ 10 mil.
Esse dinheiro é novo?
Não.
Apesar do valor elevado, o decreto não aumenta o orçamento do município.
O próprio documento informa que o recurso utilizado veio da anulação parcial ou total de outras dotações orçamentárias, mecanismo previsto na Lei Federal nº 4.320/1964. Isso significa que verbas inicialmente reservadas para determinadas despesas foram transferidas para áreas que precisavam de reforço financeiro. O valor retirado de outras dotações foi exatamente igual ao valor suplementado: R$ 1.652.000,00.
Em outras palavras, o dinheiro apenas mudou de lugar dentro do orçamento.
Decreto nº 20: mudança na forma de utilizar os recursos
O segundo decreto trata de um assunto diferente.
Ele altera o chamado Quadro de Detalhamento da Despesa (QDD), que é o documento responsável por definir como cada secretaria utilizará os recursos que já possui autorizados no orçamento.
Na prática, isso significa que a Prefeitura pode, por exemplo, reduzir recursos destinados à compra de materiais e aumentar os valores previstos para contratação de serviços, desde que permaneça dentro do limite autorizado para aquela secretaria.
As alterações envolveram as áreas de:
- Administração;
- Cultura, Lazer e Turismo;
- Obras Urbanas;
- Saúde;
- Educação.
O orçamento aumentou?
Também não.
O decreto apenas redistribui os recursos entre diferentes tipos de despesas.
Os próprios demonstrativos mostram que os acréscimos totalizam R$ 524 mil e as reduções também somam R$ 524 mil, mantendo o mesmo valor total do orçamento dessas unidades.
Decreto Financeiro nº 21: município utiliza arrecadação acima da previsão
O terceiro ato publicado possui uma característica diferente.
O Decreto Financeiro nº 21 abre um crédito suplementar de R$ 53.147,56 utilizando recursos provenientes de excesso de arrecadação, ou seja, dinheiro arrecadado acima da previsão feita quando o orçamento foi elaborado.
Os recursos foram destinados para:
- Administração – R$ 2.071,56;
- Infraestrutura e Serviços Públicos – R$ 25.293,00;
- Iluminação Pública – R$ 25.783,00.
Qual a diferença deste decreto?
Ao contrário do Decreto nº 19, não foi necessário retirar dinheiro de outras áreas.
Nesse caso, a suplementação foi possível porque a arrecadação municipal ficou acima da estimativa prevista no orçamento, permitindo que esse valor fosse incorporado legalmente às despesas da administração.
Afinal, o que mudou?
Embora os três decretos tratem do orçamento municipal, cada um possui uma finalidade diferente.
- Decreto nº 19: remaneja recursos já existentes para reforçar áreas que precisavam de mais orçamento.
- Decreto nº 20: reorganiza a distribuição das despesas dentro das secretarias, sem alterar o valor total disponível.
- Decreto Financeiro nº 21: utiliza recursos arrecadados acima do previsto para ampliar algumas dotações da Administração e da Infraestrutura.
O que isso significa para a população?
Os decretos fazem parte da rotina da administração pública e são instrumentos previstos na legislação para permitir que o orçamento acompanhe as necessidades do município ao longo do ano.
No caso de Maiquinique, a maior parte das alterações representa apenas remanejamentos internos de recursos, sem aumento do orçamento originalmente aprovado. Já o Decreto Financeiro nº 21 utiliza uma arrecadação superior à prevista para reforçar algumas despesas, conforme autorizado pela legislação orçamentária.
